Por :Kdoo Guerreiro
Novembro. Mês em que
as escolas mais procuram artistas para apresentar "showzinhos" para
seus alunos. Detalhe: tem que ser gratuito, pois o objetivo aqui é difundir uma
idéia que, em seu estreito entendimento, foi uma "invenção" nossa.
Também nesse mês, a grande mídia faz mais questão ainda de
nos invisibilizar, pois não é interessante fortalecer exemplos
positivos(curiosamente, os circos midiáticos alardeiam mais crimes cometidos
por pessoas como nós. coincidência?).
O número de "injúrias raciais" cometidas pelas mesmas
pessoas aumentam vertiginosamente, o que nos faz pensar (ao alguns de nós) por
quê esses mesmos indivíduos ainda não foram presos por racismo declarado, uma
vez que as injúrias reincidem.
Todos estes fatos poderiam gerar um discurso cheio de mágoas
e lamentações mas, ao invés disso, prefiro focar nas ações que são executadas
durante o ano inteiro e que ganham ênfase neste mês, mas primeiramente vamos
entender o por quê do mês de novembro ser mais importante para o povo negro até
que o 13 de maio.
Um pouco de História
O ano é 1695. O Quilombo dos Palmares é uma república
independente, formada por Negros fugitivos de sua condição de reféns e demais
etnias de despossuídos, localizado na Serra Dois Irmãos. A Serra Dois Irmãos é
uma serra brasileira, localizada no atual estado de Alagoas, no município de
Viçosa, às margens do rio Paraíba do Meio.
À época do Quilombo dos Palmares,
fazia parte da Capitania de Pernambuco. Os milhares de Habitantes fortalecem
sua economia através do comércio de sua produção coletiva com cidades vizinhas.
Os ganhos são compartilhados entre todos igualmente (OPAAA,
COMUNISMOOOOO?????). Tudo é compartilhado, erradicando potenciais problemas
sociais como o roubo (se eu posso usufruir de tudo, pra quê roubar??). As
mulheres também tem sua independência, pois à sua frente está Dandara, a Rainha
de Palmares deliberando ao lado de seu
marido, chamado Zumbi.
Pesquisas e estudos indicam que nasceu em 1655, sendo
descendente de guerreiros angolanos. Em um dos povoados do quilombo, foi capturado
quando garoto por soldados e entregue ao padre Antonio Melo, de Porto Calvo.
Criado e educado por este padre, o futuro líder do Quilombo dos Palmares já
tinha apreciável noção de Português e Latim aos 12 anos de idade, sendo
batizado com o nome de Francisco. Padre Antônio Melo escreveu várias cartas a
um amigo, exaltando a inteligência de Zumbi (Francisco).
Em 1670, com quinze
anos, Zumbi fugiu e voltou para o Quilombo. Tornou-se um dos líderes mais
famosos de Palmares. "Zumbi" significa: a força do espírito presente.
Baluarte da luta negra contra a escravidão, Zumbi foi o último chefe do
Quilombo dos Palmares.
Zumbi, era tido como eterno e imortal, e era reconhecido
como um protetor leal e corajoso. Zumbi era um extraordinário e talentoso
dirigente militar. Explorava com inteligência as peculiaridades da região. No
Quilombo de Palmares plantavam-se frutas, milho, mandioca, feijão, cana,
legumes, batatas. Em meados do século XVII, calculavam-se cerca de onze
povoados. A capital era Macaco, na Serra da Barriga.
A Domingos Jorge Velho, um bandeirante paulista, vulto de
triste lembrança da história do Brasil, foi atribuído a tarefa de destruir
Palmares. Para o domínio colonial, aniquilar Palmares era mais que um
imperativo atribuído, era uma questão de honra. Em 1694, com uma legião de
9.000 homens, armados com canhões, Domingos Jorge Velho começou a empreitada
que levaria à derrota de Macaco, principal povoado de Palmares. Segundo Paiva
de Oliveira, Zumbi foi localizado no dia 20 de novembro de 1695, vítima da
traição de Antônio Soares. “O corpo perfurado por balas e punhaladas foi levado
a Porto Calvo. A sua cabeça foi decepada e remetida para Recife onde, foi
coberta por sal fino e espetada em um poste até ser consumida pelo tempo”.
A evocação da data foi lançada nacionalmente em 1971
pelo grupo Palmares, na figura do poeta e historiador Oliveira Silveira. Em
1978, o Movimento Negro Unificado Contra a Discriminação Racial dá ao 20 de
novembro a denominação de Dia Nacional da Consciência Negra.
Por que o 13 de maio não tem o mesmo peso que esta data?
Durante muito tempo se apontou a data de 13 de maio de 1888
como a data mais importante para o negro brasileiro, por conta da chamada
"Abolição da escravatura", assinada pela Princesa Isabel, filha de
D.Pedro II. O documento concedia o status de "ser humano" aos
descendentes dos negro sequestrados do continente africano. A notícia foi
festeja pelo povo Negro e abolicionistas em todo o país. O problema começou de
verdade à meia-noite e um minuto do dia 14 de maio do mesmo ano, quando os
libertos foram expulsos das fazendas sem ter pra onde ir, tendo como opções a
mendicância, o roubo (entenderam agora porque até hoje o Negro é visto como
vagabundo e suspeito???) ou mesmo voltar ao trabalho não remunerado por sua própria
necessidade.
...E nos tempos atuais...
Temos acompanhado os reflexos da herança histórica em ambos os lados: cada vez mais ações como
A MARCHA DO ORGULHO CRESPO, que visa combater a discriminação estética,
A MARCHA
DAS MULHERES NEGRAS, que trata das questões ligadas ao gênero
A MARCHA
ESTADUAL ZUMBI DOS PALMARES, que engloba diversas questões afirmativas para a
equidade étnica, tem se ressaltado como exemplos do empoderamento do Povo Negro
através do fortalecimento de ícones mais positivos.
Isso se dá no mesmo ritmo
em vemos ataques racistas, como os de uma página das redes sociais conhecida
como "EU NÃO MEREÇO MULHER PRETA", ou os imputados à celebridades
negras, como a repórter Maria Júlia Coutinho, a Majú, ou mais recentemente a
atriz Taís Araújo, entre outros que sequer vale a pena citar. Para aplacar
estes casos perniciosos até se inventou um paliativo, um placebo que permite
que a sociedade oculte a sua falta de vontade de se mobilizar efetivamente
contra as agressões sem parecer racista, na imagem da hashtag SOMOS TODOS
ALGUÉMQUEFOIDISCRIMINADOMASEUNÃODOUAMÍNIMA!





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